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O nó psicológico: quanto mais se queixa dos seus problemas, mais problemas terá

Alguma vez se sentiu num beco sem saída a nível psicológico, dominado por medos, inseguranças e preocupações?

Esta situação pode ser assustadora e paralisante, mas a verdade é que a solução é muito mais simples do que conseguimos imaginar nessa altura.

Para ajudar a perceber um pouco melhor o funcionamento da mente, deixamos um texto elaborado, adaptado de Rincon Psicologia (via Psicologias do Brasil):

“Quando um inseto fica preso na teia, o pânico toma conta dele. Ele debate-se com todas as suas forças para tentar fugir, mas esses movimentos, que deveriam libertá-lo, na verdade acabam por o emaranhar ainda mais na teia e ser fatais, à medida que avisam a aranha da sua presença.

Esse padrão também se repete na nossa vida. Às vezes, tornamo-nos prisioneiros de nós mesmos e, na tentativa de escapar, acabamos ainda mais enredados nas redes que construímos à nossa volta. Criamos, sem perceber, becos sem saída, duplos vínculos psicológicos que nos mantêm presos numa situação que nos prejudica ou nos causa desconforto.

O duplo vínculo psicológico trata-se de uma situação em que quanto mais nos esforçamos para “resolver” um problema, mais o complicamos. Quanto mais nos esforçamos para nos livrar de uma emoção ou pensamento, mais o reforçamos. Criar um problema a tentar resolver um problema.

Nós mesmos criamos uma situação na qual não podemos ter sucesso, porque todas as tentativas de escapar apenas aumentam o problema ou criam novos obstáculos. Acreditamos que procuramos saídas, mas na realidade só estamos a cobri-las.

Como funciona isto? As queixas são um exemplo perfeito para entender como o duplo vínculo psicológico funciona no nosso dia a dia. Os lamentos não só expressam um estado de descontentamento, como também multiplicam as dificuldades, porque nos concentramos apenas nos obstáculos e nas consequências negativas daquilo que nos queixamos.

Lamentar é como colocar uma venda preta nos olhos e querer ver as cores do mundo. Ao desenvolver uma visão negativa do que aconteceu, somos impedidos de encontrar a solução porque a nossa mente se torna uma fábrica de problemas. Quando nos ligamos a queixas, a tudo o que deu errado e ao que pode dar errado, condenamo-nos à imobilidade.

As queixas fazem com que, para além do problema original, acrescentemos um novo problema que são as nossas atitudes perante circunstâncias.

Por exemplo, o caso dos pensamentos negativos recorrentes. Quando queremos remover um pensamento indesejado da nossa mente, a tentativa de parar de pensar nele ativa um mecanismo de híper vigilância que reforça ainda mais esse pensamento.

É uma batalha perdida antecipadamente porque caímos na armadilha que tentamos desamarrar. Quanto mais tentamos parar de pensar em elefantes cor de rosa, mais vamos pensar em elefantes cor de rosa. Sempre que nos preocupamos com a própria preocupação, tememos a ansiedade ou ficamos deprimidos porque estamos tristes, estamos a criar uma situação da qual é impossível escaparmos porque não podemos resolver um problema com a mesma mentalidade com a qual ele foi criado.

Então, como desfazer esse duplo nó psicológico? A chave, ou pelo menos uma delas, está na não ação ou no princípio de Wu-Wei: deixar tudo seguir o seu curso natural. Se não se esforçar por remover um pensamento da sua mente, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá, porque o curso natural da mente envolve saltar de um pensamento para outro sem se apegar a nenhum em particular.

Um estudo realizado na Universidade de Wisconsin concluiu que as pessoas que tentam suprimir ativamente os seus pensamentos indesejados acabam mais stressadas com os pensamentos que desejam eliminar. Pelo contrário, aqueles que naturalmente aceitam esses pensamentos intrusivos tornam-se menos obcecados por eles e, como resultado, sofrem menos ansiedade e têm níveis mais baixos de depressão.

Outro estudo mais recente realizado na Universidade de Toronto revelou que o mesmo princípio se aplica aos estados afetivos. Aceitar emoções negativas reduz a sua intensidade, permitindo que os superemos mais rápido e com menos sofrimento.

Portanto, se não alimentar o medo do medo, a preocupação pela preocupação ou a tristeza pela tristeza, essas emoções acabarão por se extinguir, como se fossem nuvens arrastadas pelo vento. É uma aceitação radical, assumir uma atitude de distanciamento mental em que nos separamos da mentalidade que criou o problema, a fim de resolvê-lo.”

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