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Já não conseguimos amar as pessoas, usamo-las como objetos: bem-vindo à era do “consumismo relacional”

Hoje, queremos refletir um pouco sobre a sociedade em que vivemos atualmente, e os valores que cada vez mais se propagam.

Para isso, convidamo-lo a ler o seguinte texto de reflexão:

“Antigamente, as coisas não eram mandadas fora, eram consertadas, mas hoje compramos, usamos e deitamos fora. Cercamo-nos do que não precisamos e deitamos fora o que ainda pode ser útil. Compramos demasiado, desperdiçamos demasiado. Infelizmente, esse modelo de comportamento condiciona e também polui a esfera das relações sociais, criando interações fúteis e superficiais. Assim, a era do “consumismo relacional” foi inaugurada.

É difícil explicar o motivo, porque não há um único fator, não há um vilão para culpar. Trata-se de um complexo de elementos que ao longo do tempo levou os indivíduos a transformar-se no que são hoje. Será “mérito” das redes sociais? Da dinâmica rápida e imparável da tecnologia digital? É claro que esses instrumentos deram a sua contribuição, mas no final é sempre uma questão de “ferramentas”. Qualquer invenção pode ter um impacto na realidade com base no uso que é feito dela.

Talvez em alguns, a semente do consumismo relacional sempre tenha existido, e os novos recursos só tenham permitido que ela floresça. A verdade é que é cada vez mais difícil construir amizades ou amores importantes, que não possam ser substituíveis por “modelos mais novos”. Alguns atribuem essa tendência à insegurança desenfreada, à perceção comum de um passado com raízes frágeis e um futuro cada vez mais obscuro e nebuloso. Na ausência de certeza, porquê preocupar-se em construir algo duradouro? Afinal, tudo está destinado a desaparecer de um momento para o outro.

Um dos piores efeitos colaterais do consumismo relacional é a imaturidade emocional e afetiva. O medo do sofrimento, de desperdiçar tempo e energia, faz com que fujamos a cada pequena dificuldade, o que impede os indivíduos de terem experiências fundamentais. Para crescer, é preciso também passar por crises, conflitos e desilusões, que levam à introspeção, e à aprendizagem de lidar com sentimentos e perdoar.

Numa sociedade semelhante, não há mais nenhuma troca ou enriquecimento real entre as pessoas, e como resultado somos todos mais egocêntricos, intolerantes, infantis, enfim… piores. A solução passa por consumir menos e viver mais uma vida um pouco mais pobre em objetos e mais rica em afetos.”

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